Qualquer vinho pode ser usado na celebração das missas?

A resposta é não. Na verdade, a Igreja Católica tem orientações claras para o vinho que deve ser usado nas missas. Essa indicação está na instrução Redemptionis Sacramentum. O motivo das recomendações é o fato de que, para os católicos, durante a missa o vinho se torna o sangue de Jesus Cristo. Por isso, são exigências que visam a manter o caráter sagrado da celebração.

Pede-se que o vinho usado seja puro, natural e, lógico, de uva. Não pode ser qualquer vinho, não pode ter substâncias como conservantes, aromas, entre outras. Diz o texto: “Está totalmente proibido utilizar um vinho de que se tem dúvida quanto ao seu caráter genuíno ou à sua procedência, pois a Igreja exige certeza sobre as condições necessárias para a validade dos sacramentos.”

A Instrução Geral para o Missal Romano (livro usado na celebração das missas) recomenda que: “Tenha-se grande cuidado em que o pão e o vinho destinados à Eucaristia se conservem em perfeito estado, isto é, que nem o vinho se azede nem o pão se estrague ou endureça tanto que se torne difícil parti-lo” (nº 323).

Para ajudar nessa escolha do vinho, as lojas de artigos religiosos vendem o chamado “Vinho Canônico”, popularmente conhecido como “vinho do padre”. Esse vinho está dentro das exigências. Usado em pequenas quantidades, costuma ser bastante licoroso, muito doce e ter elevado teor alcoólico, para manter sua conservação por períodos longos. Saiba mais sobre as características e origem no interessante blog do jornalista Beto Gerosa, sobre vinhos.

SUCO DE UVA – Em alguns casos raros, o bispo diocesano de cada Diocese pode admitir que a celebração seja feita com suco de uva, mas ainda assim não é qualquer suco. Geralmente é o chamado “mosto”, que, na verdade, é quase um vinho sem álcool. É o vinho antes do processo de fermentação. O suco de uva comum, aquele que compramos no supermercado, é proibido.

Este comunicado do bispo diocesano de Santo André, Dom Nelson Westrupp, resume os casos em que o suco de uva natural pode ser admitido: “falta de vinho (como acontece na região de Nova Guiné, na África); problemas de saúde do padre; problema de alcoolismo”.

Se tais normas não são seguidas, a Igreja considera o sacramento inválido. Em outras palavras, fora dessas condições, para a Igreja Católica a Eucaristia não foi celebrada.